31 de maio de 2011

Carta aberta ao arrombador de carros

Prezado Eega Beeva (escrever uma carta a um anônimo é um pouco deprimente, portanto vou batizá-lo, em nome do Pai e do Espírito Santo com o nome deste personagem da Disney, amém.),

Foi com certa indelicadeza que, na escura noite de sábado, você violou meu carro (e nem pagou um drink antes) com tamanha destreza no curto espaço de tempo em que o deixei em frente ao Shopping Mueller, na minha infeliz e sovina tentativa de economizar algumas moedas com o estacionamento deles. Seu pequeno delito me custou um cd player e um estojo de cd's, itens que me acompanharam durante esses 6 anos quando me tornei um número a mais no Apocalipse Motorizado.
Confesso que me senti muito bravo no instante em que, duvidando dos próprios olhos, enfiei os dedos no espaço vazio do painel, com todos aqueles fios pulando pra fora feito um pesadelo octopussiano. A checagem do porta-luvas guardou a mesma decepção, quando reparei que todas aquelas horas de pirataria na internet tinham sido surrupiadas da mesma forma. C'est la Vie, ladrão que rouba ladrão...

Mas meu caro Eega Beeva, esse instante de raiva durou poucos minutos quando fiz contas dos prejuízos e cheguei a triste conclusão; você está em sérios apuros!

Tudo começou 5 anos atrás, imediatamente após a garantia de 1 ano do aparelho Sony Xplod espirar (numa espécie de lei universal na Garantialândia). Aliás, quem é o infeliz numa empresa como a Sony que me batiza um aparelho eletrônico a ser conectado no seu carro de Xplod? Ainda guardo bem na memória as boas gargalhadas que soltei, ao ler num FAQ da própria Sony a dúvida de um troll bon vivant; "CORRO RISCO DO APARELHO DA LINHA XPLOD, DE FATO EXPLODIR NO PAINEL DO MEU CARRO?" Aposto que o diretor de cinema Michael Baysplosion tem um desses no carro dele.

Eis uma relação técnica dos defeitos, uma progressão geométrica powered by Sony:
  1. O led frontal queimou. Era um vermelho bonito, intenso, distinto dos demais. E quando o sol batia nele, era possível ver os caracteres em preto, num efeito negativo muito interessante.
  2. Algum tempo depois, o botão de encaixe do painel frontal quebrou, justo aquele botãozinho em um canto pra retirar o som. Tudo bem, o som continuava funcionando, bastava puxar com delicadeza a lateral que ele se soltava.
  3. No ano seguinte, os botões principais começaram a se quebrar, o que exigiu algumas horas de superbonder, enxertos plásticos e clipes.
  4. Em seguida, o aparelho começou com uma crise de identidade, alternando de cd player pra esmeril. As mídias eram ejetadas com tantos arranhões que pareciam esfregados no asfalto negro da vida por uma criança espasmolítica.
  5. A função de trocar rádio pra cd começa a falhar, me obrigando a escutar cada vez mais as ondas FM. Você não sabe o que é ficar preso uma hora em um congestionamento ouvindo a Voz do Brasil.
  6. E recentemente, o aparelho não lia mais as faixas do meio do cd em diante, criando uma espécie de gagueira ecoando pelos alto-falantes do carro.

Volto a repetir, Eega Beeva, você corre risco de morte ao possuir este cd player. Ele pode conter uma maldição seguindo a tradição de contos de terror do Stephen King, quando objetos inanimados conseguem avacalhar tanto a vida de seus pobres proprietários que o acabam levando à loucura. Portanto, sugiro aqui três providências básicas:

  • Primeira providência; não pague nenhuma dívida na boca de fumo com este aparelho. Se ele me atormentou durante cinco anos numa seqüência de bugs, fico imaginando como o gerente da boca vai ser exposto a todos os defeitos de forma simultânea, isso pode desenvolver uma fúria homicida instantânea, direcionada à sua pessoa.
  • Segunda providência; corra pro rio mais próximo e atire o aparelho bem lá no meio, amarrado à pedras. Poupe outras pessoas da MaldiSony Macabra do CD Player Xplod.
  • Terceira providência; cd players são démodé, tente investir na subtração de som automotivo com suporte a pen drive, sd, etc.

Carta bônus:
Não podia deixar de omitir o estojo de cd's, um hábito recorrente entre todos aqueles donos de uma perna de pau, um gancho no lugar da mão e boas lembranças do Napster.
Não vou apelar a julgamentos preconceituosos especulando os seus gostos musicais, mas tenho uma grande desconfiança de que estes cd´s não fazem parte da sua rotina acústica-sensorial. Eis uma daquelas grandes oportunidades em que cada civilização se vê obrigada a parar e refletir sobre seus valores culturais.
É a sua chance de conhecer bandas como Merzbow, Atari Teenage Riot, Cannibal Corpse e Ludwig van Beethoven. Mesmo com as mídias esmerilhadas pelo humor bipolar do cd player, ainda é possível ouvir a maioria das faixas.

Obrigado pela oportunidade, Eega Beeva, mesmo voltando a me roubar, desta vez os minutos perdidos digitando esta carta

3 comentários:

SinalVermelhoCuritiba.com disse...

Certamente, o fantasma dos produtos ruins da Sony vai assombrar esse maldito fumador de crack da boca maldita e as músicas do Justin Bieber jamais sairão da mente dele...

Nivaldo Arruda disse...

História tragica, mas devo dizer que ri do seu texto, haha =)

NÓIS DA LEI SECA, SECA TUDO QUE VIÉ disse...

AAA MALUCO, SONY É A ÚLTIMA NA TABELA DA BOCA

PIONEER = 20 PEDRAS
CLARION = 15 PEDRAS
SELENIUM = 10 PEDRAS
SONY = 1 PEDRA

CAMPEÃO É SUB BOMBER BICHO-PAPÃO 12'' = 30 PEDRAS + 1 TIJOLO DE DIAMBA